TIRANDO UMA CASQUINHA
•Maio 30, 2008 • Deixe um comentárioA ARTE DE AMAR II
•Maio 29, 2008 • Deixe um comentárioQual é o amante experimentado
que os beijos não misture com palavras de amor?
Mesmo que a tua amada tos não dê
rouba-lhe os beijos que não te quiser dar.
Talvez comece por resistência opôr
e te chame «insolente»,
mas resistindo pretende ser vencida.
Não molestes com beijos mal roubados
os seus lábios sensíveis, delicados;
que queixar-se não possa da tua grosseria.
Roubar um beijo e não roubar o resto
é uma falta de jeito que merece
perder os favores já concedidos.
Depois do beijo, ó homem, por que esperas
para outros desejos consumar?
Não é pudico o teu comportamento;
deste sim mostras de um tosco acanhamento.
Teria sido violência, dizes;
mas dessa violência não fogem as mulheres;
o que elas gostam de nos conceder,
muitas vezes concedem, resistindo.
A mulher violada por um rapto insolente
torna a violação como um doce presente;
e aquela que coagi-la fora fácil
e intacta se retira,
mesmo que o rosto alegria aparente,
vai com certeza descontente.
Foram Febe e a irmã violentadas.
Nem por isso ambas as raptadas
amaram menos aquele que as raptou.
Ovídeo
A ARTE DE AMAR
•Maio 28, 2008 • 2 ComentáriosO pudor impede a mulher
de provocar certas carícias mas se é o homem a começar
ela recebe-as com delícia.
Ah! tens excessiva confiança
nas tuas qualidades físicas
se esperas que seja a mulher
a tomar a iniciativa.
É ao homem que compete começar
e dizer palavras suplicantes.
À mulher cabe acolher suavemente
essas brandas palavras amorosas.
Queres possuí-la? Pede.
Ser rogada é tudo o que deseja.
Dá-lhe um motivo para se entregar.
Às velhas heroínas
dirigia-se Júpiter com um ar suplicante;
não eram elas que o vinham provocar.
Porém se as tuas preces
se quebram no rochedo de um orgulho distante,
desiste e volta para trás.
Desejam as mulheres o que lhes foge
e detestam o que está ao seu alcance.
Se insistires com mais moderação,
maior será a sua aceitação.
Nem sempre transpareça em teus pedidos
o ímpeto da paixão.
Quantas vezes sob o nome de amizade
num coração fechado entra o amor.
Muitas mulheres esquivas vi cair
na armadilha desta sedução:
o que era apenas admirador
volvera-se em amante.
POÉTICA DO EROTISMO
•Maio 21, 2008 • Deixe um comentárioO nojo do substantivo – foi há trint’anos –
ao sol de hoje se derrete. Nádegas aparecem
em anúncios, ruas, ônibus, tevês.
O corpo soltou-se. A luz do dia saúda-o,
nudez conquistada, proclamada.
Estuda-se nova geografia.
Canais implícitos, adianta nomeá-los? Esperam o beijo
do consumidor-amante, língua e membro exploradores.
E a língua vai osculando a castanha clitórida,
a penumbra retal.
A amada quer expressamente falar e gozar
gozar e falar
vocábulos antes proibidos
e a volúpia do vocábulo emoldura a sagrada volúpia.
Carlos Drummond de Andrade
















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